Conciliação em delitos de menor potencial ofensivo gera divergências

 

13/09/2011 19:28

Conciliação em delitos de menor potencial ofensivo gera divergências

 

Brizza Cavalcante
Gabriel de Jesus Tedesco Wedy (presidente da AJUFE), dep. Fernando Francischini (PSDB-PR), Antonio Henrique Graciano (representante da CONAMP), Siqueira Campos (presidente do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF)
Delegados e integrantes do Ministério Público discordaram do projeto que autoriza a conciliação em crimes leves.

Delegados e integrantes do Poder Judiciário divergiram sobre o Projeto de Lei 1028/11, que autoriza delegados de polícia a promover conciliação entre as partes envolvidas em delitos de menor potencial ofensivo. O debate ocorreu durante audiência pública realizada nesta terça-feira pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado para discutir a proposta.

O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel de Jesus Tedesco, afirmou que o projeto é inconstitucional, pois viola o princípio da harmonia e independência dos poderes. Além disso, observou o juiz, as polícias dos estados não têm “estrutura material” para promover a conciliação. Segundo ele, se o projeto for aprovado será questionado pela Justiça. “Não vai durar 24 horas”, previu.

Para o representante do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF) Siqueira Campos o projeto quebra princípios constitucionais sem que haja a garantia da celeridade desejada.

Também o representante da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) Antônio Henrique Suxberger manifestou-se contra a proposta, seguindo o mesmo raciocínio dos que o antecederam no debate.

Interesse corporativo
Já na opinião do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Vinício de Souza Wink, o projeto atende apenas o interesse coorporativo dos delegados. Segundo ele, a preocupação do Parlamento deveria ser com as outras categorias. “Vamos nos preocupar com os agentes de polícia que estão nas ruas; vamos nos preocupar com a PEC 300”, disse. A PEC 300 prevê um piso salarial nacional para os policiais e bombeiros militares.

Por sua vez, o representante da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Ribeiro, argumentou que já foi feita a correção técnica do projeto. O delegado ressaltou que a magistratura paulista aprova o projeto.

Com a aprovação da medida, acrescentou, o cidadão tem o direito de compor rapidamente os seus danos. “A justiça que tarda não é justiça”, disse. Se o projeto for rejeitado, advertiu, está-se negando ao cidadão o direito de ter a sua queixa resolvida rapidamente.

No entendimento do representante da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol-BR), Fernando Lopes Nogueira, o delegado é o mediador preparado a promover a conciliação entre as partes envolvidas em delitos de menor potencial ofensivo. Em sua avaliação, o projeto não usurpa a função do juiz. “A sociedade não pode sofrer por questões de carreira”, disse.

Autor do requerimento para realização do debate, o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) observou que, se o projeto não puder ser aprovado como está, é preciso encontrar uma saída para dar mais celeridade ao processo e desafogar o Poder Judiciário.

Reportagem - Oscar Telles
Edição – Newton Araújo
Foto: Brizza Cavalcante
Agência Câmara de Notícias

Notícias

TST manda sequestrar precatório em favor de idoso com câncer

Extraído de JusBrasil TST manda sequestrar precatório em favor de idoso com câncer Extraído de: Associação dos Advogados de São Paulo - 17 horas atrás Um ex-empregado do estado do Rio Grande do Sul, com 82 anos de idade, portador de câncer de próstata, sem condições financeiras para custear seu...

STJ terá sete novos ministros até o meio do ano

Extraído de JusClip STJ terá sete novos ministros até o meio do ano 14/03/2011 A presidente Dilma Rousseff deve indicar esta semana três novos ministros para o Superior Tribunal de Justiça. Dilma recebeu há um mês, do STJ, três listas tríplices com nomes de advogados que ocuparão o cargo de...

Descoberta de traição após núpcias não enseja anulação do casamento

Extraído de Arpen SP TJ-SC - Descoberta de traição após núpcias não enseja anulação do casamento A 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça manteve sentença da comarca de Itajaí, que julgou improcedente o pedido de anulação de casamento ajuizado por uma mulher que descobriu ter sido traída...

Repercussão geral

  STF julgará indulto e suspensão de direitos políticos Os ministros do Supremo Tribunal Federal entenderam que existe repercussão geral na discussão sobre a constitucionalidade ou não da extensão do indulto a medida de segurança decretada em relação a acusado considerado perigoso e submetido...

Distribuidora não pode vender a posto de concorrente

Extraído de domtotal 10/03/2011 | domtotal.com Distribuidora não pode vender a posto de concorrente Postos que firmam contrato de exclusividade com uma distribuidora de combustíveis estão obrigados a adquirir e revender os produtos apenas da empresa contratante. A decisão é da 15º Vara Federal do...

Lei mineira que impede desconto em folha inferior a 10 reais é contestada no STF

Quinta-feira, 10 de março de 2011 Lei mineira que impede desconto em folha inferior a 10 reais é contestada no STF A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4571) com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual contesta...